quinta-feira, 6 de março de 2008

Agressão à liberdade de opinião no Rio Grande do Sul.

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Radialista da Rádio Pampa intimida ouvinte Amiga do Presidente Lula

Nossa amiga Teresinha Carpes nos conta que o radialista da rádio Pampa, Gustavo Victorino, disse estar rastreando seus comentários em blogs e encaminhando ao departamento jurídico da Rádio.

Só faltava essa. Uma rádio querendo processar ouvintes, por emitirem opinião sobre seus programas.

Liberdade de opinião na impressa só vale então para jornalistas e donos? E para ouvintes?

Outra face do episódio que deveria envergonhar Gustavo Victorino, é, ele sendo um tubarão do rádio, detentor de um programa de massa, de uma grande empresa de comunicação, fazer intimidações contra uma simples aposentada, pessoa do povo.

Teresinha nos contou que o radialista diz que ela não está refletindo com exatidão o que ele diz.
Ora, um radialista tem responsabilidade sobre o que diz para sua audiência. Ele precisa saber se comunicar. Se ele está querendo dizer uma coisa, e o ouvinte está entendendo outra, a culpa é dele que não sabe comunicar o que pensa.

Vários órgãos de imprensa no Brasil precisam compreender que não estão agradando à GRANDE MAIORIA da população pelo parcialismo político que adotam, por isso o rótulo de PIG (Partido da Imprensa Golpista) pegou. E as reclamações contra noticiário parcial serão cada vez maiores.

É uma escolha dos donos dos veículos de comunicação e seus jornalistas, trilharem por esse caminho do parcialismo, mas não reclamem da opinião dos ouvintes / leitores que contestam. São cidadãos brasileiros da mesma forma.

A opinião de Teresinha tem tanto valor e precisa ser tão respeitada quanto a de qualquer brasileiro, seja um radialista famoso como Gustavo Victorino, ou não.

Vamos escrever protestando contra essa truculência do radialista contra nossa amiga.

O e-mail da RÁDIO PAMPA AM - PORTO ALEGRE é comercialtv@pampa.com.br

quarta-feira, 5 de março de 2008

Para Nassif,"Veja" está num processo de deterioração moral.


5 DE MARÇO DE 2008 - 17h31
Para Nassif, 'Veja' está num processo de deterioração moral

Por trás da escalada “neocon” da revista Veja, há uma trama que envolve dossiês falsos — “os planos Cohen da vida” —, lobbies com políticos e empresários, “assassinatos de reputações”, manipulações e outros desprezos à lei. Em entrevista ao Vermelho, Luis Nassif revela como e por que resolveu desmascarar a farsa, através do “dossiê Veja”, publicado em capítulos no blog Luis Nassif Online.

Por André Cintra e Priscila Lobregatte

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5

Luis Nassif: dossiê anti-Veja

Diz a série: o conservadorismo da maior revista semanal do Brasil ganhou ainda mais ênfase com a ascensão de Eurípedes Alcântara e Mario Sabino aos cargos, respectivamente, de diretor de Redação e redator-chefe. Com eles no comando, também tiveram projeção o editor especial Lauro Jardim, da seção “Radar”, e o colunista Diogo Mainardi. Estava formado o “quarteto de Veja”, responsável — segundo Nassif — pelo “maior fenômeno de antijornalismo dos últimos anos”.

O dossiê conta os bastidores e as evidências desse processo. Mostra as relações promíscuas entre Eurípides e o banqueiro Daniel Dantas, o clima bélico injetado por Veja contra jornalistas de outros veículos, a campanha ostensiva e golpista contra o governo do presidente Lula, entre outros descalabros. A repercussão é estrondosa. Da página de Nassif na internet, a série já é reproduzida em mais de 800 blogs.

Para Nassif, enfrentar a Veja é lutar em defesa do jornalismo. Mas o dossiê só tem êxito, segundo ele, porque a internet começou a democratizar a comunicação no Brasil, permitindo denúncias de abusos, além de contrapontos fora da grande mídia. E Nassif acredita que uma outra entrevista sua ao Vermelho, concedida em 2006, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, “foi a primeira que rompeu com essa cortina de silêncio”.

Você já escreveu um livro (O Jornalismo dos Anos 90) para tentar explicar mudanças paradigmáticas da imprensa na última década. Após as eleições 2006, soltou o artigo “A longa noite de São Bartolomeu”, que é quase um apêndice do livro, com um resumo e atualizações a respeito dessas transformações. O que houve nesse período? Como e por que a grande mídia mudou?
O livro terminava relativamente otimista. Eu achava que, com o avanço do discernimento por parte dos leitores, a imprensa seria mais seletiva e mais rigorosa na apuração de notícias. Mas nos anos 90 e nesta década entre 2000 e 2010, ao menos até agora, ocorreu uma confluência de fatores que piorou muito o ambiente midiático.

Tivemos, de um lado, a crise das empresas jornalísticas, que cometeram o que chamamos de ato de fraqueza como forma de não só saírem da crise como também de enfrentarem um outro cenário adverso que viria pela frente. Cederam à mídia internacional, com grandes grupos entrando e um novo padrão sendo introduzido — e nossos homens da mídia eram sempre acostumados com um ambiente fechado, sem uma visão estratégica para sobreviver num ambiente de competição.

Isso levou a um pacto de autodefesa entre esses grupos, porque eles precisariam fazer parcerias também com grandes investidores. É aí que aparece a figura dos banqueiros dos anos 90, alguns bem barra-pesada, que passam a ser uma das bóias de salvação da mídia. E aí você vende a alma. Quando você vende a alma e tem essa falta de critério jornalístico em algumas publicações, você dá tanto poder para seus diretores que eles saem do próprio controle da organização.

Nessa série da Veja que estou fazendo, há muitos episódios que não têm Abril no meio. A Abril perdeu o controle. A comparação que faria é a de uma empresa que usa o caixa 2 e sistemas não-formais para poder conseguir negócios — e que perde o controle de quem está fazendo as coisas. Na Veja, você tem matérias que são muito estranhas. Você olha e diz: que justificativa tem para isso? É a Abril que está pedindo isso? São os diretores?

Você está nos dizendo que a “hierarquia militar” da Abril foi violada? Ou o Roberto Civita (presidente da Editora Abril) poderia intervir e não interveio?
O Roberto Civita foi alvo, em momentos passados, de ataques pessoais pesados. E aí vem um pessoal pistoleiro de reputação e oferece a chance de fazer com eles o que antes fizeram com o Civita. E então ele libera esses mastins para sair atacando todo mundo. O que acontece? Ele não é um cara ideológico. Esse negócio de dizer que os sócios sul-africanos é que estão levando a essa posição da Veja é mentira. O Civita é um sujeito que se guia pelo mercado e que se baseia muito no que acontece nos Estados Unidos.

E nos Estados Unidos tem início esse movimento neocon, de agressividade na linguagem. Ele pensou: “Vamos trazer isso para cá”. E entregou essa função para as piores mãos possíveis — um pessoal jornalisticamente incompetente e inescrupuloso no trato da informação. Começaram a radicalização, a grosseria, os ataques contra todo mundo e os beneficiamentos pessoais. O que aconteceu com o livro do Mário Sabino? Ele usou todo o ferramental disponível inclusive para mudar critérios dos livros mais vendidos e, assim, se beneficiar. Isso aí não é coisa da Abril. É inacreditável um negócio desses.

Se essa série tivesse saído no ano passado, o que eles alegariam? São os inimigos políticos da Veja, são os chapas-brancas E atrás desse discurso, dessa blindagem, eles faziam tudo. A qualquer crítica que surgisse, eles diziam: “Ah, são os chapas-brancas”. O Diogo Mainardi foi usado pelo Mário Sabino, é um doente. Foi utilizado para isso: se alguém chegar perto, cria a marca “é da equipe do governo”, “é chapa-branca”. Com isso, você libera a direção para fazer o que desse na telha.

Foi o que fizeram com o Franklin Martins, com a Tereza Cruvinel...
Você pega o Franklin Martins. Eles conseguiram jogar nos braços do governo o melhor jornalista político do país: “Ah, agora está provado que o Franklin era governista”. Provado coisa nenhuma! O Franklin ficou fora do mercado e foi trabalhar no governo. A Tereza Cruvinel era uma das melhores colunistas que havia. Começaram com esses ataques baixos, desqualificadores, e ela foi trabalhar no governo.

A questão toda não é somente os ataques, mas a maneira como os jornais reagiram a isso. No Globo, o (diretor-executivo de jornalismo) Ali Kamel fechou com eles. O que o Ali Kamel fez com o Franklin quando foi atacado? Rompeu contrato com ele. Isso foi uma deslealdade que intimidou todos os demais colunistas do O Globo. Na Folha, o Otavinho (Otávio Frias Filho, diretor de Redação) não saiu em defesa quando seus colunistas foram atacados. Não digo nem a mim — mas ao Kennedy Alencar, ao Marcelo Coelho e a outros.

Isso criou uma insegurança geral nos colunistas. Nos anos 90, havia diversidade jornalística dada por eles. Quando se cria essa guerra e essa unanimidade para derrubar o Lula — e se permite que os seus jornalistas sejam atacados —, você induz todos eles a fazerem discurso único por uma questão de sobrevivência profissional. Eu pulei fora.

Nos anos 50, havia um jornalismo bastante carregado de opiniões. Isso voltou tal como era antes ou você vê diferenças?
Voltou com tudo, inclusive com os planos Cohen da vida. Toda aquela manipulação, inclusive dossiês falsos, passou a ser usada. Isso é uma loucura! Estamos na era da internet, da comunicação, e a Veja passa a usar dossiês falsos, passa a misturar a notícia com fantasia.

Aquele negócio de dólares de Cuba é um exemplo. A qualidade da notícia deveria ser melhor até por uma questão de cautela. Se hoje não há mais aquele controle da informação que se tinha antes, você não pode se dar à imprudência de sair inventando história, porque vai ser desmascarado.

Há um capítulo do dossiê em que você diz que, a cada sucessão no comando da Veja, entram jornalistas cada vez mais desqualificados e incompetentes...
É. A Veja está num processo de deterioração moral. Recebo vários e-mails de jornalistas que trabalharam lá, e há um que fala que, a cada edição, morria de medo de involuntariamente fuzilar alguma reputação. Porque eles pegam as matérias e alteram tudo.

Existem vários exemplos de jornalistas que faziam parte de um grande veículo e que, agora, têm seus sites e blogs, estão “nadando contra a corrente”. Temos o Paulo Henrique Amorim e o Luiz Carlos Azenha, que eram da Globo. Há você, que saiu da Folha. A internet virou uma válvula de escape?
Vou falar da minha experiência. Na Folha, sempre procurei jogar no contrafluxo. Um exemplo foi a Escola Base. Esse negócio de não seguir a manada, para mim, sempre foi um oxigênio. Qualquer forma de restrição ao pensamento, para mim, é um terror. E a restrição ao pensamento pode vir da empresa, pode vir do governo ou pode vir do leitor.

Ao longo dos anos 90, um grande fator de restrição à imprensa foram essas pesquisas de opinião. Os jornais criavam um escândalo, o leitor queria mais daquele escândalo, e o jornal ficava prisioneiro daquela opinião do leitor que ele mesmo tinha criado. Era um círculo vicioso.

O que aconteceu nos últimos anos foi que você não podia mais jogar no contrafluxo por conta dessa frente que se formou contra o governo. Uma das características do jornalismo é que a capacidade que você tem de fazer um elogio é que te garante credibilidade e a eficiência quando você faz a crítica. Se for sistematicamente a favor ou sistematicamente contra, não se faz jornalismo.

Só que quando, começou aquela campanha maluca contra o Lula, você tinha que ficar sistematicamente contra. Tinha denúncia verdadeira? Tinha. Mas também havia denúncias falsas. O jornalismo coerente tinha que separar o falso do verdadeiro. Só que o patrulhamento foi um negócio tão intenso — e essa frente da mídia foi tão emburrecedora — que acabou essa diferenciação.

Quando fomos para a internet, o público que estava lá era o público dos jornais. Mas a internet também é uma armadilha; você tem que tomar cuidado para não ficar prisioneiro dela também. Meu público é 80% a favor do Lula. Mas, se você cede a esse público, você perde a liberdade.

Que pressões você sofreu na Folha?
Ali foram desgastes internos, que já vinha há algum tempo. Quando entrou a “guerra santa” e eu comecei a fazer o contraponto, gerei insatisfação e não teve jeito.

Existe na blogosfera um “ativismo jornalístico” cujos principais nomes seriam o seu, o do Paulo Henrique Amorim?
Isso aí é malandragem desse pessoal da Veja. Quando a Veja resolveu montar a blindagem para a revista, o álibi encontrado contra as críticas foi dizer que se formou uma frente contra ela. Quando comecei minha série, o Paulo Henrique ligou me apoiando. E eu falei: “Não me apóia”. Daí, quando eu lancei o primeiro capítulo, ele fez um carnaval lá, e eu publiquei uma coluna até deselegante com ele, mas não tive outro jeito. Falei que não tenho nada a ver com Paulo Henrique — só para deixar bem claro que não havia essa ligação.

Você pega esses blogs da Veja e tem lá: “Porque o iG tem o Paulo Henrique, o Mino, o Nassif...”. Isso é malandragem. Qualquer crítica que você faz, eles dizem: “Você está fazendo a crítica porque existe uma frente”. Então a maior precaução que eu tomei quando comecei a escrever foi deixar bem claro que não havia essa ligação.Trabalhei com o Paulo Henrique há alguns anos e, nos últimos dois ou três anos, encontrei com ele em uma ou outra palestra. Não tenho intimidade com ele, nem ele comigo. Fazemos tipos diferentes de jornalismo. Esse negócio de frente foi malandragem da Veja.

A discussão que quero ter é jornalística. A Veja tem o direito de ser de direita ou de esquerda — quem define é o dono. Não tenho a pretensão de achar que tenha que haver uma assembléia de jornalistas definindo isso. O jornalista, quando quer ter opinião, vem para a internet. Minha crítica é que a Veja não obedeceu aos princípios jornalísticos. Manipulou, jogou, assassinou reputações, atropelou a lei.

Quando foi entrevistado por nós, em outubro de 2006, você já dava indícios de que havia esses problemas na Veja, mas apenas passava de raspão. Falava nos superpoderes do Eurípedes, comentou também da relação entre a revista e o Daniel Dantas. Por que você resolveu abrir a tampa e ir a fundo só agora, chegando ao dossiê?
Olha, eu teria assunto para mais uns 15 dossiês, se eu tivesse tempo. O meu método de trabalho é um pouco diferente do da Veja. Quando, lá atrás, sofri o ataque da Veja, fui procurar entender o que estava por trás daquilo. Estava na cara que era o Mainardi atuando na defesa do Daniel Dantas, mas não estavam claras as ligações e quem era quem no jogo. Passei esse período todo tentando entender.

Depois que você coloca as peças no lugar, basta pegar todas as matérias que estão lá e ir encaixando. Há uns oito meses, comecei a dar uns cutucões na Veja e o blog desse rapaz ficou oito meses me atacando, dizendo que eu era ladrão. Dizia coisas inacreditáveis. Sabe aquela coisa de você encontrar o cara de madrugada, bêbado, e ele vem xingar sua mãe, seu pai (risos). Depois que você fecha a lógica, é só encaixar as matérias.

Você levanta quatro nomes à frente dessa linha na Veja – Eurípedes, Sabino, Jardim e Mainardi. Por que o Reinaldo Azevedo, outro radical, não entra nessa lista?
O Azevedo é menor. Você tem o Mário Sabino, certo? E o Reinaldo Azevedo é um Sabininho. Pegue o último capítulo da série que foi publicado, sobre os livros — que tem o Azevedo escrevendo resenha. Aquilo lá é só Sabino. Você pega o texto do Azevedo, pega um professor de literatura, e compara. São as impressões e as marcas do Sabino.

O que o Mario Sabino faz na Veja? Ele tem dois ou três ali que ele usa para atacar: o Sérgio Martins, o Jerônimo Teixeira, por exemplo. Ele altera os textos deles. No caso do Reinaldo, o Sabino dá o texto pronto. O Reinaldo é apenas uma caricatura. E isso é importante porque, sendo uma caricatura, ele deixa mais à mostra o que é esse jogo. Outro dia, ele escreveu sobre o Obama (Barack Obama, pré-candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos), descendo o cacete, e de repente a Veja sai com uma visão diferente. Ele entrou em pânico, porque ele não representa nada. Como caricatura, todos os defeitos da Veja ficam mais evidentes com ele. Mas ele é apenas um Sabininho.

E quem é Daniel Dantas? Como ele aparece na história?
Nos anos 90, você teve o avanço dessas colunas de negócios, que passaram a ser utilizadas como ferramentas de lobbies empresariais. Não estou generalizando. Isso começa a ficar muito pesado mesmo nos anos 90, e esses lobistas maiores passam a recorrer aos serviços de assessorias de imprensa barras-pesadas. Com o tempo, eles passam a entrar direto com seus jornalistas. A IstoÉ é um caso clássico de uso de jornalistas para jogadas comerciais. Só que quando se chega na maior revista do país, quando se atinge e coopta o seu centro, aí é demais.

O Daniel Dantas é o maior exemplo de como degringolou política no país. No dia em que ele contar suas histórias, não sobrarão grandes próceres tucanos e não sobrarão grandes figuras petistas também, nem jornalistas expressivos, Poder Judiciário. Ele conseguiu montar uma rede de influência inacreditável. Nos Estados Unidos, talvez no século passado houve esses abusos — mas a sociedade americana criou formas de autodefesa. Aqui não. Aqui se fecha em torno dos novos homens do dinheiro. Esse é um grande mal que o Fernando Henrique deixou para o país, um mal que vai ter — aliás, já está tendo — desdobramentos terríveis. E com a mídia se dispondo a fechar com eles, você tem uma parte relevante dos poderes institucionais que vão pro vinagre.

A mídia é muito poderosa, cria mitos inacreditáveis. O Mainardi é um exemplo. Começou-se a criar um mito de que ele seria o novo Paulo Francis. Mas quando você vê as coisas que ele escreve... E não estou entrando em juízo de valor, mas em juízo de qualidade. De repente, você o transforma num personagem. E, nesses grupos de autodefesa, você tem o Sabino elogiando o Ali Kamel, que elogia o Mainardi, etc. Ou seja, cria-se dentro da imprensa um negócio fora das estruturas de controle dos jornais, grupos de autopromoção que são uma coisa mafiosa. Destrói-se pessoa que não seja do grupo e passa-se a tentar criar reputações intelectuais.

Foi o que o Sabino faz na Veja, com essas manipulações com relação ao livro dele. Ele escreve e assina sobre o Otavinho, sobre o Ali Kamel. Mas, na hora de tentar destruir o Davi Arrigucci, o Silviano Santiago (críticos literários e professores acadêmicos), ele coloca outros para assinar. Tentaram destruir o (também crítico José Miguel) Wisnik, o Santiago, o Arrigucci. E quem são as novas personalidades intelectuais que surgem? Ali Kamel, Mário Sabino, Mainardi. É inacreditável! Mainardi! Duas das maiores organizações do país — Abril e Globo — passaram a ser manipuladas por três ou quatro pessoas, criando esses mitos. É uma loucura.

Então você tinha uma clara dimensão de onde estava se metendo quando iniciou o dossiê?
Quando entrei, me preparei para o pior. Vamos pegar um exemplo. Há oito meses, esse rapaz (Reinaldo Azevedo) me ataca. Há oito meses, o Reinaldo escrevia baixaria contra os professores da USP. Dava no Jornal Nacional e dava na Veja. Aí percebi que, quando começasse a série, eles usariam esse cara para me fazer ataques. Minha reputação continua a mesma. Estava até esperando coisa pior, que deve vir ainda.

Mas usei esses oito meses para preparar minha família. Dizia: “Olha, vão lendo isso aqui. Essa baixaria vai estar ampliada quando eu começar a cutucar esse pessoal”. Minha preocupação maior era com os meus familiares. Cada vez que minha mulher ficava mais horrorizada com os ataques, eu dizia: “Maravilha — estão se enforcando na própria corda”. Desse pessoal, eu esperava tudo. Acho que a Abril está um pouco mais cuidadosa do que eles. Mas, se dependesse deles, estariam falando da minha mãe, das minhas filhas. Eles não têm limites.

Por outro lado, para mim era terrível, como jornalista, essa história de ver um grupo que conseguia ficar incólume com superpoderes para injúrias e difamações. No jornalismo, em qualquer lugar democrático, toda vez que você vê manifestações de superpoder, ou essa arrogância, é um desafio para a gente. Mas ninguém queria desafiar por que? Porque os jornais foram covardes na hora de defender os seus profissionais.

Não tem nenhum jornalista neste país que respeite o jornalismo da Veja. Eles temem. Temem porque a Veja tem autorização para atirar em cima deles, e seus jornais não vão defendê-los. Foi o que aconteceu comigo na Folha. Quando eu saí de lá, eu falei: “Bom, agora estou por minha conta”. Esperei um tempo para o blog pegar e para a radicalização política diminuir, e aí comecei. Vamos ver no que vai dar.

Se bem que, logo depois do artigo do Leonardo Attuch contra você (“Nassif: o fracasso lhe subiu à cabeça”), o Otavinho deu uma declaração a seu favor...
Esse negócio de que fui demitido da Folha porque eu recebia propina — o blog deles estava há oito meses falando sobre isso. Os meus leitores vinham e diziam: “Você não vai responder?”. Não. Se responder, você vai dar munição para um cara desqualificado. Você vai desviar toda a discussão para se defender de maluquices.

O Attuch é conhecido. A Veja, no começo, o atacava — até que fizeram um acordo. Quando veio o ataque do Attuch, foi bom, porque aí o Comunique-se e a Imprensa procuraram o Otávio Frias Filho, e ele esclareceu tudo. Agora, você vê: foram oito meses em que os caras ficaram falando isso aí no portal da Veja, que é maior revista do país. Quer dizer, será que não tem nada de errado com a mídia? Se isso não for uma deformação completa, eu não sei o que é.

Sobre a Globo...
A Globo não tem a mesma baixaria da Veja. A Globo é Ali Kamel.

Mas tem essa questão da superexploração da febre amarela, das crises...
Isso é coisa do Ali Kamel. O jornal O Globo caminhava para ser o melhor do país. Aí entrou o Ali Kamel com essas maluquices dele: o caso da TAM, da febre amarela, apagão, atletas cubanos, etc. O Globo tinha tudo para ocupar o espaço que a Folha deixou e foi comprometido pelo Ali Kamel.

Essa situação tem a ver com a questão da concentração da mídia?
Tem tudo a ver, mas a internet já está democratizando a mídia. Eu recebi aqui alguns e-mails que falam do Mário Sabino brigando com a Folha. A característica desse pessoal é que são todos puxa-sacos. Eles elogiam suas empresas de um tal jeito... Qualquer ser humano com um mínimo de pudor teria vergonha. Faz parte desse perfil.

E é interessante quando você pega o Sabininho. Como ele é caricatura, fica ele todo dia falando do Victor Civita (fundador da Editora Abril), comovido. É inacreditável. Fico vermelho por eles. Aí tinha o Kamel mandando carta toda semana para a Folha, para atacar a Folha e defender O Globo. A Folha era o grande agente de tensão e exerceu um papel de equilíbrio muito importante. Num determinado momento, a Folha deixa de exercer esse papel, e cria-se um pacto tácito entre os jornais.

E eles acham que, com esse pacto fechando a atuação deles, nada do que não quisessem viraria notícia. Não se deram conta do fenômeno da internet. Esse foi o grande engano. Aquela entrevista que a gente fez, acho que foi a primeira que rompeu com essa cortina de silêncio. Isso é resultado do fenômeno da internet.

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=33563

sábado, 1 de março de 2008


LEONEL BRIZOLA DEVE ESTAR RINDO À TÔA: REDE GLOBO PODE PERDER SUA SUSTENTAÇÃO FINANCEIRA - A TV PAULISTA
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Usurpada dos antigos donos
A TV Globo corre o risco de ser D-E-S-A-P-R-O-P-R-I-A-D-A


Há um outro dado que transforma o processo da transferência da TV Paulista para a TV Globo numa sensação: o grande faturamento da TV Globo ESTÁ HOJE EM SÃO PAULO
.

Circula frenética e entusiasmadamente pela internet a reportagem publicada nesta Tribuna, sobre a questão TV Paulista-TV Globo. A antiga TV Paulista foi "comprada" de forma fraudulenta pelo empresário Roberto Marinho. A transferência (um escândalo completo) vem sendo contestada pelos herdeiros dos antigos controladores.

Além de transcrita no "Consultor Jurídico" (o mais importante portal acessado por advogados e juristas), a matéria foi aproveitada pela Assessoria do Superior Tribunal de Justiça. O título usado pela assessoria é elucidativo e não deixa dúvidas: "STJ vai examinar recurso que discute controle acionário da TV Globo de São Paulo".

A TV Globo já esteve em vantagem no julgamento. Quando houve a primeira decisão, há meses, provocada pelo famoso advogado Luiz Nogueira, escrevi aqui mesmo: "A TV Globo vai ganhar em instâncias menores, perderá nas maiores, as que decidem".

Há um outro dado que transforma o processo da transferência da TV Paulista para a TV Globo numa sensação: o grande faturamento da TV Globo ESTÁ HOJE EM SÃO PAULO.

Os principais tópicos da matéria desta Tribuna foram transcritos pelos jornalistas do STJ. A notícia e a reportagem são manchetes do site oficial do Tribunal Superior. A repercussão é tão grande que somente nas primeiras 24 horas as matérias do "Consultor Jurídico" e do STJ foram acessadas por mais de 5 mil pessoas. Agora (uma semana), estão em dezenas de milhares. Desespero dos advogados da Globo, que não podem estancar ou eliminar o noticiário.

Mas a culpa de tudo é dos próprios advogados da TV Globo. Quando foram acionados pelos herdeiros da antiga TV Paulista, esses advogados apresentaram em juízo procurações grotescamente falsificadas. E os herdeiros queriam apenas ver os documentos PROVANDO que a TV Paulista fora VENDIDA e COMPRADA pelo senhor Roberto Marinho. E ali, até fariam acordo, agora impossível.

O mais desesperador para a TV Globo: ela será condenada com base em depoimentos nada verdadeiros e cheios de contradições, feitos pelo próprio Roberto Marinho. Basta verificar o seguinte, está nos autos: com data de 1953 e 1954, p-r-e-m-o-n-i-t-o-r-i-a-m-e-n-t-e, já continha o CPF do próprio Roberto Marinho e dos seus representantes.

Agora a emocionante e eletrizante questão (principalmente pelo vulto dos recursos envolvidos) será julgada pela 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro João Otavio de Noronha deu PROVIMENTO ao agravo de instrumento interposto pelo atento e sempre competente advogado Luiz Nogueira. Pela decisão do ministro João Otavio de Noronha, os autos vão SUBIR e a questão será julgada em última instância.

No Tribunal de Justiça do Rio, a causa, estranhamente, fora julgada PRESCRITA e rotulada como AÇÃO ANULATÓRIA. Os advogados da Globo (com tanto dinheiro poderiam ter contratado advogados mais competentes) não perceberam que se tratava de outro tipo de processo. Luiz Nogueira entrou com "ação declaratória de inexistência de ato jurídico", que não prescreve nunca.

PS - Se for considerada procedente pelo STJ, na forma da lei, a TV Globo será devolvida aos antigos proprietários.

HÉLIO FERNANDES

Usurpada dos antigos donos
A TV Globo corre o risco de ser D-E-S-A-P-R-O-P-R-I-A-D-A
Circula frenética e entusiasmadamente pela internet a reportagem publicada nesta Tribuna, sobre a questão TV Paulista-TV Globo. A antiga TV Paulista foi "comprada" de forma fraudulenta pelo empresário Roberto Marinho. A transferência (um escândalo completo) vem sendo contestada pelos herdeiros dos antigos controladores.
Além de transcrita no "Consultor Jurídico" (o mais importante portal acessado por advogados e juristas), a matéria foi aproveitada pela Assessoria do Superior Tribunal de Justiça. O título usado pela assessoria é elucidativo e não deixa dúvidas: "STJ vai examinar recurso que discute controle acionário da TV Globo de São Paulo".
A TV Globo já esteve em vantagem no julgamento. Quando houve a primeira decisão, há meses, provocada pelo famoso advogado Luiz Nogueira, escrevi aqui mesmo: "A TV Globo vai ganhar em instâncias menores, perderá nas maiores, as que decidem".
Há um outro dado que transforma o processo da transferência da TV Paulista para a TV Globo numa sensação: o grande faturamento da TV Globo ESTÁ HOJE EM SÃO PAULO.
Os principais tópicos da matéria desta Tribuna foram transcritos pelos jornalistas do STJ. A notícia e a reportagem são manchetes do site oficial do Tribunal Superior. A repercussão é tão grande que somente nas primeiras 24 horas as matérias do "Consultor Jurídico" e do STJ foram acessadas por mais de 5 mil pessoas. Agora (uma semana), estão em dezenas de milhares. Desespero dos advogados da Globo, que não podem estancar ou eliminar o noticiário.
Mas a culpa de tudo é dos próprios advogados da TV Globo. Quando foram acionados pelos herdeiros da antiga TV Paulista, esses advogados apresentaram em juízo procurações grotescamente falsificadas. E os herdeiros queriam apenas ver os documentos PROVANDO que a TV Paulista fora VENDIDA e COMPRADA pelo senhor Roberto Marinho. E ali, até fariam acordo, agora impossível.
O mais desesperador para a TV Globo: ela será condenada com base em depoimentos nada verdadeiros e cheios de contradições, feitos pelo próprio Roberto Marinho. Basta verificar o seguinte, está nos autos: com data de 1953 e 1954, p-r-e-m-o-n-i-t-o-r-i-a-m-e-n-t-e, já continha o CPF do próprio Roberto Marinho e dos seus representantes.
Agora a emocionante e eletrizante questão (principalmente pelo vulto dos recursos envolvidos) será julgada pela 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro João Otavio de Noronha deu PROVIMENTO ao agravo de instrumento interposto pelo atento e sempre competente advogado Luiz Nogueira. Pela decisão do ministro João Otavio de Noronha, os autos vão SUBIR e a questão será julgada em última instância.
No Tribunal de Justiça do Rio, a causa, estranhamente, fora julgada PRESCRITA e rotulada como AÇÃO ANULATÓRIA. Os advogados da Globo (com tanto dinheiro poderiam ter contratado advogados mais competentes) não perceberam que se tratava de outro tipo de processo. Luiz Nogueira entrou com "ação declaratória de inexistência de ato jurídico", que não prescreve nunca.
PS - Se for considerada procedente pelo STJ, na forma da lei, a TV Globo será devolvida aos antigos proprietários.
http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/ontem/coluna.asp?coluna=helio

domingo, 17 de fevereiro de 2008

NÓS SABEMOS E DIVULGAMOS.



http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

Vocês lembram dessa notícia da Folha? Pois é, a Folha não disse o nome do ministro, mas eu descobri. A noticia dizia apenas "Embora prefiram não ter de usar o arsenal, os governistas envolvidos na criação da CPI dos cartões corporativos já armazenam dados sobre gastos realizados por autoridades na gestão FHC. Descobriram, por exemplo, que um ministro da era tucana... O nome do ministro é José Serra, que hoje governador de São Paulo-- tinha por hábito passar os fins de semana no Rio de Janeiro -não raro saindo de Brasília na sexta e voltando apenas na segunda ou terça- e lançar todas as suas despesas numa conta "tipo B". A fatura apresentada incluía hotel de primeira linha, carro com motorista (sob a rubrica "transporte executivo") e até mesmo as pastilhas Tic-Tac consumidas durante os dias de descanso. "Se abrir esse baú, a Matilde vira uma freira franciscana", afirma um líder da base aliada.

Os sonhos dos adversários de Lula

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) passou a última semana dedicado a uma missão secreta. Foi escolhido para tentar convencer o ministro Ubiratan Aguiar, do Tribunal de Contas da União (TCU), a passar ao partido informações sobre os gastos com cartões corporativos do Palácio do Planalto. Jereissati foi indicado por motivos políticos e regionais. Aguiar é um ex-deputado federal do PSDB cearense. A esperança por trás da “arapongagem” tucana é encontrar entre as notas fiscais alguma prova que permita jogar a crise sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou sua família.

“Precisamos de um Fiat Elba”, dizia um dos líderes da oposição, no final da semana. É uma referência ao carro que teve papel decisivo na queda do então presidente Fernando Collor em 1992. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava corrupção no governo dele descobriu que o veículo, usado pela família do presidente, tinha sido comprado com dinheiro de um esquema de caixa dois. A revelação fortaleceu o processo contra Collor e levou à sua renúncia.

Essa busca tem se alimentado de boatos que circulam em Brasília há um bom tempo, até aqui sem nenhum indício de comprovação. São histórias sobre gastos da primeira-dama, Marisa Letícia, ou dos filhos do presidente. Assessores dos partidos de oposição no Congresso passaram os últimos dias debruçados sobre os dados do Portal da Transparência. Tentavam identificar entre os estabelecimentos que receberam pagamentos da Presidência algum que parecesse suspeito. A busca focava salões de beleza, clínica de cirurgia plástica, joalherias, lojas de roupas e revendedoras de veículos. Até sexta-feira, nada havia aparecido, mas os oposicionistas não perdiam a esperança. A estratégia é tentar focar nos gastos secretos.

A maior parte das despesas feitas com cartões corporativos do Planalto é mantida em sigilo, sob a alegação de que sua exposição colocaria em risco a segurança do presidente da República. Mas todos os gastos precisam ser comprovados por notas fiscais, que são fiscalizadas pelo TCU. São essas notas que a oposição cobiça, seja pela arapongagem seja pela CPI. “Nós não sabemos o que existe lá”, reconhece um senador oposicionista. “É como jogar na mega-sena. Com sorte, pode haver algo que derrube o governo.”

Ministros
Outra expectativa é que surjam despesas constrangedoras feitas por ministros ou altos funcionários. Mesmo se não atingirem o centro do poder, revelações desse tipo manteriam o foco da imprensa sobre o caso e aumentariam o desgaste do governo. Na sessão de segunda-feira do Senado, ao falar sobre os desvios nos cartões, Efraim Morais (DEM-PB) disse que “quando um administrador público, em nível de primeiro ou segundo escalão, utiliza-se de um instrumento de trabalho (no caso, os cartões corporativos) para pagar uma tapioca, uma conta de chope num barzinho da Vila Madalena ou um motel, está demonstrando que desconhece o sentido mais elementar da palavra República”. Logo depois, ao dirigir-se à tribuna, Heráclito Fortes (DEM-PI) provocou o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR): “Romero, motel é gasto de emergência?”, questionou.

As referências a motéis não são uma coincidência. Nos últimos dias, DEM e PSDB levantaram a razão social de todos os estabelecimentos do ramo no Distrito Federal, na esperança de que algum servidor tenha financiado algumas horas de prazer com dinheiro público. Diante da dificuldade de comprovar a tese, surgiu outra desconfiança, a de que os motéis estariam disfarçados como empresas de outro tipo, por exemplo oficinas mecânicas.

O que vai pelos sonhos dos adversários de Lula

Encontrar gastos pessoais da primeira-dama que justifiquem sua convocação pela CPI

Encontrar despesas exorbitantes de funcionários do Planalto que lancem suspeitas sobre Lula

Detectar atividades constrangedoras de ministros, como vida extraconjugal

E, o grande prêmio, encontrar gastos caracterizados como enriquecimento ilícito de Lula.

Enviado por Hélio Borba - Editor do Blog Aposentado Invocado

A tucanalha se morde, ou se bica, pelo poder a todo custo.Não se vê "transparência" (termo infame !) na política dessa corja que acabou com o país! eles não se dão ao respeito nem mesmo entre eles, membros de um mesmo partido. Isso é política sem ideologia.É pura grana, corrupção, oportunismo, podridão. Não é ato a que Tasso é chamado de “corrupTasso”.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Miriam Leitão quer aumentar o preço da energia no interior.

Quinta-feira, 16 de Junho de 2005

Globo e Miriam Leitão querem que energia custe três vezes mais caro no interior (completo)
Artigo escrito especialmente para o Blog do Mello por um especialista em energia, que não quer se identificar.

Todo mundo sabe que a Miriam Leitão entende de tudo: economia, transportes, política, saneamento, escândalos com amantes de políticos, nada escapa à sabedoria e à "lógica cristalina" dessa jornalista fabulosa, que tem a exclusividade de fazer comentários nos jornais, rádios e TVs do grupo Globo.

Quando um assunto é meio cabeludo, como “energia”, ela arruma uns "especialistas", que geralmente são funcionários de empresas multinacionais e consultorias especializadas em privatização.

Os “pareceres” de Dona Miriam Leitão sobre qualquer assunto guardam entre si uma coisa em comum: todos dizem que o Lula está errado ou não previu alguma coisa a respeito do assunto antes. Mesmo que seja antes de 2002.

Nesse artigo de hoje sobre a forma como o Brasil consegue fornecer energia para as regiões isoladas, a Dona Leitão insurge-se contra a CCC, conta de combustíveis fósseis, criado em 1994 pelo então presidente FHC, que todos sabemos é o ídolo da nossa "sabe-tudo".

O curioso é que só agora, quando o Lula é o presidente, é que a Dona Leitão descobriu a "injustiça do CCC" e quer acabar com ela.

Ela faz igualzinho ao que os tucanos fizeram como a CPMF, que era “boa, indispensável, justa e necessária” enquanto os tucanos punham a mão nela, mas virou um "câncer" quando o Lula é que a destinava aos programas sociais e à sobrevivência dos hospitais.

Ela agora vê um “apagão na lógica” porque na região norte do Brasil ainda se usa óleo diesel nos geradores de energia. E vem com uma solução milagrosa, óbvia, que o governo federal não estaria enxergando, mas só ela, a "poderosa Madame Leitão", está vendo: "usar energias renováveis na região Norte”. Ora vejam! Como não pensamos nisso antes?

Viram só? A solução estava ali, esperando ser descoberta e todos os técnicos e empresas estavam desatentos, apenas preocupados com seus cartões corporativos, não tinham atinado para essa solução milagrosa...

Só mesmo a Dona Leitão, com sua astúcia e capacidade suprema poderia nos trazer a solução...

Ah, que sorte nossa, possuirmos uma compatriota assim tão brilhante e inteligente! Nem os americanos descobriram formas de levar energia aos países que ocupam e dominam nos cinco continentes, mas a Dona Leitão descobriu!

Então vamos lá, desmentir mais essa impostura, criada pela Miriam Global Leitão, jornalista que recebe grana para aborrecer todos os dias os brasileiros com sua voz anasalada, sua cantilena agourenta e de cheia de pessimismo.

As dimensões do Brasil fazem nossos problemas serem gigantescos. De sul a norte o Brasil tem 4320 km. A mesma distância de Lisboa a Atenas na Grécia. O Brasil é maior do que toda a Europa Ocidental. Até 1808 não tínhamos nem imprensa. Até 1888, um terço de nossa população era escrava. Os fazendeiros e nobres, donos de escravos, durante séculos impediram o crescimento e o desenvolvimento do país. Não queriam o crescimento, pois isso poderia acabar com seus privilégios, entre eles o da escravatura. O Brasil era apenas uma estreita franja de cidades no litoral. Só com a criação de Brasília o Brasil descobriu o Brasil. Se não fosse Brasília, não existiriam Rondônia, Mato Grosso, Acre, Tocantins, Goiás e nem mesmo muitas áreas do interior de São Paulo e Minas. Muita gente foi contra a construção de Brasília, entre eles o jornal o GLOBO, que tentou várias vezes derrubar o presidente eleito, Juscelino Kubitschek como derrubou João Goulart. JK é odiado pela mídia tal como Lula, pois teve a ousadia de cumprir a constituição e construir uma nova capital em três anos, elevando a auto-estima dos brasileiros, contra toda a campanha de difamação, pessimismo e anti-patriotismo movida pela mídia.

Acontece que um país com o tamanho da Europa Ocidental não se constrói do dia para a noite. Levar energia a todos os estados brasileiros foi outra façanha de JK, que criou Furnas, CHESF e outras grandes empresas estatais que construíram nossas hidroelétricas. Mas as enormes distâncias, que são uma vantagem de nosso imenso Brasil, atrapalham muito a construção de obras de infra-estrutura. Estradas, pontes, linhas de transmissão, hospitais, escolas, tudo isso é muito difícil de construir naquelas condições. Mesmo assim muito esforço foi feito e hoje o Brasil pode se orgulhar de possuir o maior sistema interligado de energia do mundo. Restaram no entanto 2500 pequenos sistemas isolados, que levam energia aos milhões de brasileiros que teimosamente, dia e noite, constroem o Brasil do interior, mantendo-o brasileiro, pois que senão são eles lá, aquilo já estava nas mãos dos gringos há muito tempo....Aquele é um Brasil que progride a passos largos, construído por pioneiros e pessoas de todas as raças que levam progresso e bem estar a regiões isoladas de tudo e de todos.E onde, por isso mesmo , até hoje o ministério do trabalho encontra gente pobre vivendo como escrava de gente rica.Para desespero aliás de muitos senadores do DEM, como Kátia Abreu, porta-voz e defensoras dos modernos escravocratas do Pará e do Tocantins.

Pois bem. Esses brasileiros que moram nessas regiões, onde não existem estradas mas só enormes rios e pantanais e florestas precisam de energia para viver, para produzir e conservar leite, ovos, carne ,madeira, soja, milho e todo tipo de riquezas. Seus filhos precisam de luz elétrica para estudar à noite, para terem segurança, para terem água potável, fazer sua higiene, etc.

Então, para que todos esses milhões de brasileiros tivessem energia, os vários governos municipais, estaduais e federais foram instalando grupos diesel durante os últimos sessenta , cinqüenta anos, pois não havia forma de manter um mínimo de condições de sobrevivência sem eles.

O diesel era um combustível barato até quando o Bush resolveu atacar os países árabes para aumentar as reservas de petróleo sob o controle da sua família, que é do ramo petroleiro, à custa é lógico de centenas de milhares de mortos civis e de jovens norte-americanos ( a maioria negros e latinos, é verdade).

Por uma questão de isonomia no tratamento de cidadãos, não importa em que lugar eles se encontrem, o governo federal , no tempo de FHC criou a CCC, que é cobrada de todos os demais consumidores que moram dentro da área atendida pelo sistema interligado, e que banca a diferença entre o custo da energia entre essa região e as regiões atendidas pelos 2500 sistemas isolados.

E é esse subsidio à energia nas regiões do interior, que faz com que as famílias e industrias paguem quase o mesmo valor que nós aqui na cidade que a Globo, através da Miriam, a entendida em tudo, quer acabar, sem criar nenhuma forma de financiamento em seu lugar. Tal como fizeram com a CPMF lembram? Só para criar dificuldades ao povo e ao governo, para favorecer eleitoralmente aos seus aliados tucanos.

Ela quer que se acabe com a CCC e que os brasileiros que moram em regiões isoladas paguem integralmente e sozinhos pelo diesel usado para produzir energia elétrica que consumirem, apesar de não terem culpa de os governos anteriores não terem construído redes por dentro da floresta para levar energia a todo o Brasil.

Como descoberta salvadora, nossa “iluminada” colunista-sabe-tudo vem com essa de energia solar, que custa pelo menos dez vezes mais para ser produzida que o diesel, mas cuja tecnologia é dominada pela British Petroleum, dona da Shell e de muitas empresas que pagam verbas a jornalistas mercenários através da Fundação Ford, a pedido da CIA.

Simples assim. Prestação de serviços de publicidade disfarçados de “artigos de economia”. Básico.

Agora, é preciso que os planos de Dona Leitoa e da GLOBO para acabar com a CCC e triplicar o preço da energia nos estados do Norte e do Centro-Oeste sejam bastante divulgados entre as populações dessas regiões para que o povo possa dar o troco que eles merecem: zero de audiência na TV e zero votos nas eleições de 2008 aos seus candidatos do DEM e do PSDB.
http://blogdomello.blogspot.com/2008/02/globo-e-miriam-leito-querem-que-energia.html

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

FHC sacou no cartão corporativo!!!!!!!!!!



Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008
FHC SACOU NO CARTÃO CORPORATIVO
http://blogdoonipresente.blogspot.com/
Chama a atenção, o uso de CARTÃO CORPORATIVO pelo ex - PRESIDENTE FHC em 2007 (também). Em todos os dias há pelo menos 02 (dois) valores, o que dá a entender o uso de dois carros. Porém em alguns meses, DEZEMBRO por exemplo, há abastecimentos DIÁRIOS!!!! Como ANDA esse FHC....

Agora, dá PARA ALGUÉM EXPLICAR QUATRO ABASTECIMENTOS NO DIA 06/08/2007???
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http://www.portaltransparencia.gov.br/index4.asp


Dezembro/2007
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Abril/2007

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A Democracia não veio de graça!


CARTA O BERRO. ..........repassem.


----- Original Message -----
From: BEATRICE13


Para não esquecer que a democracia não foi de graça...

Dá que ouçamos tua voz*
José Damião de Lima Trindade**

"– Meu pai contou para mim; eu vou contar para meu filho.
– Quando ele morrer? Ele conta para o filho dele.
– É assim: ninguém esquece".
(Kelé Maxacali, índio da aldeia de Mikael, Minas Gerais, 1984)1

O corpo de Eduardo Leite "Bacuri" foi entregue à família com os dois olhos vazados, as duas orelhas decepadas, todos os dentes quebrados ou arrancados, costelas partidas, cortes profundos, hematomas por pancadas e marcas de queimadura por brasas de cigarros em todo o corpo.
Ele foi preso em agosto de 1970, no Rio de Janeiro, por oficiais do CENIMAR – Centro de Informações da Marinha, que o interrogaram e o transferiram para o Delegado Sérgio Paranhos Fleury, do DOPS paulista, que o interrogou e o repassou para o DOI-CODI de São Paulo, que o interrogou e o devolveu ao Delegado Fleury, que, então, "plantou na imprensa", no dia 25 de outubro, a "notícia" de que esse preso conseguira fugir dois dias antes... Chegaram a mostrar ao próprio Eduardo Leite, na cela do DOPS em que estava trancado, jornais com a notícia de sua "fuga" – isto é, de sua execução preparada para breve. Dois dias mais tarde, no início da madrugada de 27 de outubro (quatro dias após a suposta "fuga"), Eduardo Leite, sob protestos desesperados e impotentes de cinqüenta presos das outras celas, foi arrastado pelos braços para fora de sua cela – não conseguia mais pôr-se em pé após mais de cem dias de tortura – e nunca foi trazido de volta. Em 8 de dezembro daquele ano, novo comunicado do DOPS à imprensa, informando que o temível fugitivo fora "localizado" pelas forças da repressão no litoral norte paulista e morrera numa troca de tiros com policiais.
Esse relato pode ser encontrado em vários livros de história sobre o período2. Eu teria imenso alívio em afirmar que esse foi o único, ou o pior, episódio de violência perpetrada pela ditadura brasileira. Não foi – nem o único, nem o pior. Dezenas de modalidades de tortura física e psicológica foram praticadas intensiva e extensivamente pelos órgãos de repressão política de todos os Estados do país contra milhares e milhares de brasileiros, chegando até ao homicídio deliberado de quase quatro centenas de presos políticos3. Foram mortes que, às vezes, eram apresentadas sob álibis descarados ("suicídio", "atropelamento acidental", "morte em tiroteio" etc.), outras vezes não passavam de execuções seguidas de ocultação dos cadáveres (os "desaparecimentos"). Os torturadores tiveram mãos livres para fazer de tudo – e fizeram de tudo. Estupraram presas4 . Torturaram bebês para obrigar seus pais a revelarem informações5 . Mataram pessoas empaladas6 . Mataram com injeção de inseticida7 . Mataram de muitos modos. A relação de horrores vai mais longe e é bem mais arrepiante do que normalmente estão dispostas a imaginar mesmo pessoas que se consideram bem informadas.
Mas seria um equívoco supor que as torturas e assassinatos foram "excessos" cometidos por "psicopatas". Ao contrário, foram métodos adotados pelo Estado brasileiro para livrar-se de seus opositores. Sua aplicação dava-se, quase sempre, no interior de quartéis do Exército ou de delegacias das polícias estaduais e federal, em horários normais de expediente dessas repartições, sob conhecimento e orientação de autoridades superiores e sob inspiração da Doutrina de Segurança Nacional, desenvolvida na Escola Superior de Guerra entre 1965 e 19688.
As equipes de tortura e de eliminação eram, quase sempre, chefiadas por oficiais das Forças Armadas ou por Delegados de Polícia. Apesar de muitas vezes manterem suas vítimas sob capuzes, quase trezentos desses criminosos fardados ou sem farda acabaram sendo identificados, tiveram seus nomes publicados. Passada a ditadura, prosseguiram normalmente em suas carreiras de funcionários públicos. A julgar pela idade que tinham na década de setenta – a maioria com menos de quarenta anos – muitos ainda devem continuar no serviço público, possivelmente no topo de suas respectivas carreiras civis ou militares. Nenhuma punição.
A grande frente que foi se formando na luta contra a ditadura não conseguiu acumular forças suficientes para exigir a punição de seus crimes. Por isso, em 28 de agosto de 1979, o general João Batista de Figueiredo, ditador-presidente de plantão na época, promulgou a Lei n. 6.683 (lei da anistia política) com as conhecidas limitações e deformações: por um lado, a lei concedeu uma anistia política apenas parcial, dela excetuando todos os que tivessem sido condenados por práticas da luta armada – ou seja, todos os que exerceram o direito de rebelião contra a violência ilegítima dos usurpadores do poder; e, por outro lado, a mesma lei estendeu a anistia aos torturadores e homicidas – isto é, premiou com impunidade perpétua os que praticaram todas as violências a favor da ditadura. Mais tarde, a Constituição de 1988 corrigiu parcialmente a distorção, ampliando a abrangência da anistia. Mas a impunidade dos torcionários da ditadura ainda continua intocada.
Contudo, apesar de limitada e deformada, a anistia de 1979 resultou, antes de mais nada, do crescimento da luta popular contra a ditadura militar. A bandeira da "anistia ampla, geral e irrestrita" havia conseguido, nos anos anteriores, unificar todas as correntes de oposição e conquistava apoio social e solidariedade internacional. Esquivando-se como podiam da repressão (e quando podiam...), sucediam-se atos públicos, abaixo-assinados, manifestos, greves de fome dos presos políticos, denúncias e mais denúncias. Então, em 1978, após anos vergados sob o peso de duríssima repressão, os trabalhadores conseguiram retornar à cena política, com as grandiosas greves operárias do ABC paulista, em afronta aberta às leis do regime militar. Isso acelerou a reorganização nacional do movimento sindical, estimulou manifestações de outros setores e deu impulso formidável à luta pela anistia.
A correlação de forças começava a se inverter. A repressão "seletiva" não funcionava mais. A partir daquele momento, só um banho de sangue de proporções monumentais conseguiria deter a expansão da luta contra a ditadura – mas os golpistas não tinham mais condições políticas para isso.
A anistia parcial de agosto de 1979 expressou exatamente esse momento crucial em que a ditadura, ainda com fôlego, foi forçada a concessões e iniciou seu período de declínio. Conseqüências imediatas da anistia: repatriação de milhares de exilados e libertação de grande parte dos presos políticos – o que, concretamente, injetou novas energias na frente de oposição à ditadura e preparou o terreno para as formidáveis mobilizações da campanha pelas Diretas Já, em 1984, que encerrariam, no início do ano seguinte, o longo ciclo – vinte e um anos! – do poder militar no Brasil
O autor é Procurador do Estado de São Paulo________
* Este artigo também foi publicado no jornal da Associação Juízes para a Democracia, v. 5, n. 18, 1999, p. 5.
** Procurador do Estado, membro do Grupo de Trabalho de Direitos Humanos da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo e Presidente da Comissão Paulista de Anistia Política.
1 Epílogo de Brasil: nunca mais, 20. ed., Petrópolis, Vozes, 1987, p. 273.
2 Ver, em especial: Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo Governo de Pernambuco em 1995, reeditado pelo Governo paulista em 1996, p. 79-82.
3 Relações de mortos e "desaparecidos políticos" no Brasil podem ser consultadas em diversas obras, das quais destacam-se duas mais recentes: Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo Governo de Pernambuco em 1995, reeditado pelo Governo paulista em 1996; e Nilmário Miranda, Carlos Tibúrcio, Dos filhos deste solo, São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1999.
4 Por exemplo: Madre Maurina Borges da Silveira, presa pelo DOPS em Ribeirão Preto, torturada e estuprada. O episódio suscitou indignação internacional. Em março de 1970, guerrilheiros brasileiros seqüestraram o cônsul geral do Japão em São Paulo e obrigaram a ditadura a permitir a saída do país de cinco presos políticos, dentre eles Madre Maurina – humilhada, machucada, mas viva. Acolhida pelo Vaticano, refugiou-se num convento de sua ordem religiosa no México. A Igreja Católica excomungou dois delegados do DOPS de Ribeirão Preto envolvidos: Miguel Lamano e Renato Ribeiro Soares. Relato: Arquidiocese de São Paulo, Brasil nunca mais, Petrópolis, Vozes, 20. ed., 1987, p. 97.
5 Exemplo: Isabel Gomes da Silva, de quatro meses de idade, torturada no DOI-CODI paulista com choques elétricos porque os militares e policiais que prenderam sua mãe suspeitavam que ela ocultava informações. Ver relato em Antonio Carlos Fon, Tortura: a história da repressão política no Brasil, São Paulo, Global, 6. ed., 1981, p. 39.
6 Exemplo: o jornalista Mário Alves, após oito horas de tortura pelos agentes do Exército no quartel da rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, foi morto mediante empalamento com um cassetete de madeira guarnecido de estrias de aço. Relato em Jacob Gorender, Combate nas trevas, São Paulo: Ática, 1987, p.180-181.
7 Foi o caso do operário Olavo Hansen, em São Paulo, em maio de 1970. Relato detalhado em Nilmário Miranda, Carlos Tibúrcio, Dos filhos deste solo, São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1999, p. 527-532.
8 Essa Doutrina, fornecedora do suporte jurídico-filosófico para a atividade de repressão política da ditadura, já estava desenvolvida antes do Ato Institucional n. 5, de 13.12.68, conforme se verifica no trabalho elaborado pela Escola Superior de Guerra publicado no segundo semestre de 1968 pela revista "Segurança e Desenvolvimento". Uma síntese dessa doutrina encontra-se em Antonio Carlos Fon, Tortura: a história da repressão política no Brasil, São Paulo: Global,
6. ed., 1981, p. 27-32.
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CARTA O BERRO. ..........repassem.


----- Original Message -----
From: BEATRICE13



Para não esquecer que a democracia não foi de graça...

Crônica de uma morte anunciada:
o assassinato de Bacuri

"Prepare o seu coração pras as coisas que eu vou contar..."
(Disparada - Geraldo Vandré e Théo de Barros)

Todos os militantes de esquerda que tiveram a morte como desfecho de sua luta contra a ditadura militar têm histórias tristes e trágicas, mas a de Eduardo Collen Leite - Bacuri - talvez seja a mais violenta de todas.

Bacuri nasceu em Campo Belo, Minas Gerais, no dia 28 de agosto de 1945. Ainda criança mudou-se para São Paulo onde iniciou os estudos.

Ingressou na militância política integrando-se à Polop (Política Operária) e, em 1967, incorporou-se ao Exército servindo na 7ª Companhia de guarda e, posteriormente, no Hospital do Exército.

Em 1968 transferiu-se para a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), porém, em abril de 1969, retirou-se para fundar a Rede Democrática (REDE). Em seguida, mudou-se para a ALN (Ação Libertadora Nacional).

Como todo militante de organizações clandestinas, recebeu um codinome pelo qual seria reconhecido pelos companheiros para que, dessa forma, ninguém conhecesse sua verdadeira identidade, criando, assim, um dispositivo de segurança. Entretanto, com Eduardo, o apelido pegou e apagou todos seus nomes de guerra. Até sua morte seria conhecido apenas como Bacuri.

Todos os que conheceram Bacuri têm a mesma opinião sobre ele: "era um tipo simples, afável e bem-humorado". Bacuri era um militante total, como quase todos os integrantes dos grupos armados, para os quais estava descartada definitivamente qualquer outra opção de vida, mas, nele, havia uma coragem a toda prova, pois excluía hesitações.

A ousadia que se transformou em ódio

Bacuri era um militante determinado e corajoso. E foi personagem de uma série de episódios que o transformaram num dos homens mais odiados e perseguidos pela ditadura.

Ao lado de Denise Crispim (sua esposa) e Devanir José de Carvalho foi capaz de furar uma barreira policial quando voltavam de um treinamento com o carro repleto de armas. Após uma perseguição cinematográfica, conseguiram escapar da polícia e, assim, salvar os armamentos da organização.

Para salvar a vida de Chizuo Osava (Mário Japa - preso após um acidente automobilístico), a VPR e o campo de treinamento no Vale do Ribeira que tinha nada menos que o capitão Carlos Lamarca no comando, ajudou Ladislau Dowbor, Devanir José de Carvalho, Listz Vieira e Osvaldo Soares a seqüestrarem o cônsul japonês. Em troca do diplomata conseguiram a liberdade de Mário Japa, Damáris Lucena e seus três filhos, Madre Maurina Borges, Diógenes José de Carvalho de Oliveira e Otávio Ângelo - todos banidos para o México, salvando, assim, muitas vidas por algum tempo.

Entretanto, nenhum ato cometido por Bacuri poderia ter despertado tanto ódio entre os militares quanto a história que vem a seguir: no aparelho em que moravam Bacuri e Denise ficou hospedada por um tempo a militante Ana Bursztyn. Ana, ao cobrir um ponto acabou presa e, no 8º dia após torturas incessantes, abriu o endereço do aparelho.

O resultado disso foi a prisão de Denise, grávida de pouco tempo. À distância, Bacuri, Carlos Eugênio Paz e Ana Maria Nacinovic assistiram impunes à prisão da companheira. Temeroso pela vida da mulher e do filho, Bacuri telefonou para o comandante do II Exército deixando o seguinte recado: "Aqui é o Bacuri, guerrilheiro da ALN. O DOI-CODI acabou de prender minha mulher e vão torturá-la para me entregar. Não há necessidade disso, assistimos a sua prisão, não tem mais informações a dar. Seu comandante responde pela vida dela e do bebê e, se algo acontecer, não descansaremos enquanto não matá-lo".

De início ninguém levou a ameaça a sério, até que Carlos Eugênio telefonou novamente e propôs a troca da vida de Denise e seu bebê pela do general-comandante do II Exército, pois deixou claro que conhecia a rotina do general e não pouparia a vida do mesmo. Contrariados, os militares aceitaram o acordo, mas também juraram acabar com a vida de Bacuri.

O calvário de Bacuri

Bacuri caiu nas mãos dos militares no dia 21 de agosto de 1970, preso quando chegava em sua casa, no Rio de Janeiro, pelo temido delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Foi torturado durante 109 dias em diversos centros de tortura. O sofrimento de Bacuri foi resultado da sanha dos torturadores diante das ameaças feitas quando da prisão de Denise.

Bacuri foi submetido a um intenso processo de trucidamento na tortura. Uma das testemunhas disso foi Ana Bursztyn que relatou: "Bacuri era levado e retirado. Ficava sempre sozinho numa cela ao fundo (...). [Os presos] faziam sempre protestos desesperados cada vez que ele saía, arrastando-se".

No dia 24 de outubro de 1970, o tenente da PM Chiari informa a Bacuri, recolhido na solitária do fundão do DOPS/SP, que o jornal daquele dia noticiava sua fuga ocorrida no dia anterior. Cerca de 50 presos políticos testemunharam que Bacuri jamais saíra de sua cela a não ser quando era carregado para as sessões diárias de tortura, pois já não tinha mais condições de se locomover sozinho.

No dia 27 de outubro Bacuri foi retirado de sua cela e nunca mais foi visto com vida. Posteriormente, soube-se que foi levado para o sítio particular do delegado Fleury, um temido centro clandestino de torturas. No dia 8 de dezembro, 42 dias após seu seqüestro e 109 de sua prisão, os jornais publicaram uma nota oficial divulgando a morte de Bacuri após tiroteio nas imediações de São Sebastião, litoral norte de São Paulo.

Na verdade, Bacuri foi prontamente assassinado após a divulgação do seqüestro do embaixador suíço, ocorrido no dia 07 de dezembro, pois, certamente, seu nome estaria na lista de presos políticos trocados pelo diplomata e seria impossível soltá-lo por duas razões: encontrava-se oficialmente foragido e estava completamente desfigurado e mutilado pela tortura. A solução era acabar definitivamente com sua vida.

O corpo de Bacuri foi entregue à família que pôde constatar o que o ódio é capaz de fazer: seu corpo tinha hematomas, escoriações, cortes profundos e queimaduras por toda parte. Além disso, tinha dentes arrancados, as orelhas decepadas e os olhos vazados.

A farsa sobre o assassinato de Bacuri incluía um laudo de exame necroscópico que afirmava que não houve tortura e ainda confirmava a versão oficial de morte em tiroteio.

O horror da visão de um corpo mutilado pelo ódio calou Denise para sempre e a levou a sair do país com a filha Eduarda, fruto de seu amor por Bacuri.

Embora não tenha conhecido a filha, Bacuri a amava imensamente. O último resquício de amor que pôde guardar nos 109 dias de seu calvário foi um sapatinho de lã da filha, encontrado no bolso de sua calça; prova de que o amor supera o ódio, mesmo em circunstâncias de dor e sofrimento.

A morte de Bacuri, de forma tão macabra, é apenas o reflexo do que a tortura fez ao Brasil. Mutilou uma nação e manchou para sempre as páginas da nossa história.

Vanessa Gonçalves da Silva é jornalista formada na Universidade Estadual de São Paulo "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) e mestranda em História Social na Universidade de São Paulo (USP) onde realiza uma dissertação sobre o papel e a importância das mulheres na luta armada no Brasil (1964-1985).
Contato: vangoncalves@gmail.com

http://www.jornalorebate.com/colunistas2/van4.htm

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